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Pratos equilibrados, mesas felizes
Só come a ver ecrãs e não fica sentado à mesa: guia dos 1 aos 6 anos
Sem o tablet não abre a boca e, mal acaba o desenho animado, sai da cadeira? Porque se cria o hábito, quanto tempo uma criança pequena consegue estar sentada, como tirar o ecrã passo a passo e quando falar com o médico.
Informação geral: Informação geral que pode variar de criança para criança. Antes de decidir, fale com o seu médico ou com um profissional.
Em resumo
- Comer a ver ecrãs é um hábito muito frequente entre 1 e 6 anos e pode mudar em poucas semanas.
- O ecrã desvia a atenção da comida e a criança mal repara no que come nem quando está satisfeita.
- Avisar antes da refeição, guardar os aparelhos num cesto e sentar frente a frente são os passos que mais ajudam.
- A Ordem dos Psicólogos sugere que a família defina momentos sem ecrãs, por exemplo durante as refeições.
Equipa editorial LumiyaBaseado em 4 fontesOs nossos princípios editoriais
Sem o tablet ou os desenhos animados não abre a boca e, mal o ecrã se apaga, sai da cadeira? Entre 1 e 6 anos é um hábito muito frequente, que pode mudar em poucas semanas. O que mais ajuda é tirar os ecrãs da mesa de vez, fazer refeições curtas e comer em família, sem forçar.
Porque é que o meu filho só come a ver ecrãs?
Costuma começar com boa intenção: numa noite difícil liga-se um desenho animado, a criança come sem protestar e o hábito fica. Aos poucos, associa a comida ao ecrã. Sem ele, a mesa parece-lhe aborrecida.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses propõe que a família defina momentos do dia sem ecrãs, por exemplo durante as refeições. Lembra também que as crianças aprendem imitando o nosso comportamento, e pergunta se os adultos usam o smartphone durante as refeições.
Diante de um ecrã, a criança mal repara no que come e quando está satisfeita. Umas comem mais do que precisam, outras quase nada assim que o ecrã desliga. A mastigação também sofre quando a atenção está noutro lado.
Os sinais de saciedade demoram a chegar do estômago ao cérebro, e a criança precisa de estar atenta para os sentir. As cores e os sons do ecrã roubam essa atenção: o sabor, a textura e a sensação de estar cheio passam despercebidos e a boca abre-se quase sozinha. Nas refeições sem ecrãs, a criança aprende a reconhecer a sua própria fome e saciedade.
Podemos cultivar o hábito das refeições serem momentos de descoberta dos sabores e texturas da comida (sobretudo para as crianças mais novas) e, também, momentos de socialização para conversarem sobre o seu dia-a-dia, interesses ou outros assuntos.
Quanto tempo consegue estar sentado à mesa?
Esperar que uma criança pequena aguente muito tempo sentada é meio caminho para a birra. A atenção dura pouco e cresce com a idade: para um bebé de 18 meses, dez minutos à mesa já são uma boa refeição.
Que uma criança de 2 anos queira sair depois de umas garfadas é normal. Terminar a refeição com calma resulta muito melhor do que voltar a ligar o ecrã para mais umas colheres.
O que esperar à mesa conforme a idade
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Começar sem ecrãs
A Academia Americana de Pediatria desaconselha ecrãs antes dos 18 meses, exceto videochamadas; as refeições começam sem eles.
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10-15 minutos
Os CDC norte-americanos indicam que uma refeição pode durar 10 ou 15 minutos, ou enquanto a criança estiver atenta.
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Curta e alegre
Depois de umas garfadas pode querer sair; a refeição termina aí, sem ecrã para compensar.
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Cerca de 20 minutos
Ajuda a pôr a mesa, entra na conversa e aos poucos fica sentada mais tempo.
Os organismos de cada país indicam tempos um pouco diferentes, mas concordam no essencial: refeições curtas e ecrãs desligados.
| País e organismo | Duração e idades | Ecrãs |
|---|---|---|
| Portugal — DGS e Ordem dos Psicólogos | Aos 5-6 anos, selecionar programas, horário e período de ecrã | Refeição sem conflito, oportunidade de interação sem pressão; momentos sem ecrãs |
| Estados Unidos — CDC | 10-15 minutos, ou enquanto a criança estiver atenta | Televisão, vídeos e telemóveis não devem distrair a criança da comida |
| Países Baixos — Voedingscentrum | No máximo 20-30 minutos; avisar 5 minutos antes | Comer com atenção, sem televisão nem telefone |
Como tiro o ecrã da mesa?
Parar de uma vez ou aos poucos: ambos podem resultar, se todos os adultos cumprirem a regra. Anuncie-a antes, numa frase: “A partir de hoje, não há tablet ao jantar; em vez disso, contamos como correu o dia.”
O Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil da Direção-Geral da Saúde aconselha a não entrar em conflito durante a refeição, que é uma oportunidade de interação sem pressão. Quando o seu telemóvel também vai para o cesto, a regra passa a ser um hábito da família e não um castigo.
Passar a refeições sem ecrãs: 5 passos
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Avisar antes
Não o arranque de repente da brincadeira: “Mais cinco minutos com os carrinhos e vamos para a mesa.”
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Dar um lugar aos aparelhos
Tablets e telemóveis vão para um cesto fora da cozinha antes da refeição; a televisão também não fica ligada ao fundo.
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Torná-lo ajudante
Pôr os guardanapos ou levar o cesto do pão liga a criança à mesa.
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Sentar frente a frente
A cara dele está virada para si, não para um ecrã, e come o mesmo prato.
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Limitar o tempo
Quando o tempo acabar, retire o prato com calma; nada até ao lanche ou à refeição seguinte.

O que fazer nos primeiros dias sem ecrã?
Nos primeiros dias a criança pode chorar, comer pouco ou levantar-se da mesa: é uma reação esperada. Uma criança saudável que come pouco numa refeição costuma compensar na seguinte.
Preencha o vazio do ecrã com conversa. Falem da cor, do estaladiço e do cheiro: “A tua cenoura faz croc ou está molinha?” Pergunte-lhe pelo dia, mas não transforme a mesa num lugar de sermões.
A Ordem dos Psicólogos lembra que, se a televisão costuma estar ligada durante as refeições, esse momento pode pelo menos servir para conversar sobre o que é transmitido. Para os mais pequenos, porém, o melhor é mesmo desligá-la.
| Evite | Em vez disso |
|---|---|
| Negociar: “Mais uma colher e ponho os desenhos animados” | Separar completamente ecrãs e comida |
| Andar atrás dele pela casa com o prato | Oferecer comida só à mesa |
| Insistir para que coma tudo | Deixá-lo decidir quanto come |
| Ralhar porque se levanta | Dizer com calma: “Se te levantas, a refeição acabou” |
| Ver o seu telemóvel à mesa | Pôr também o seu telemóvel no cesto |
Depois de um dia longo, pôr os desenhos animados para jantar em paz é muito humano. Isso não faz de si um mau pai ou uma má mãe. Começar por uma só refeição por dia sem ecrãs já é um passo verdadeiro.
Exemplo de jantar sem ecrãs
Eis um fim de dia possível para crianças dos 2 aos 6 anos; ajuste as horas à rotina da sua família.
- 19h15 — “Daqui a cinco minutos vamos jantar!”; todos os aparelhos vão para o cesto.
- 19h20 — Lavar as mãos; a criança distribui guardanapos e colheres.
- 19h25 — Todos à mesma mesa, a começar por uma porção pequena do mesmo prato.
- 19h45 — Acabou o tempo; todos se levantam, tenham comido ou não, e levanta-se a mesa.
- 19h50 — Um livro ou um jogo juntos; se houver ecrã, curto e escolhido antes.
A mesma sequência funciona ao pequeno-almoço e ao almoço. Encontra mais artigos na secção comer sozinho e regras à mesa e conselhos por idade nas páginas 1-3 anos e 3-6 anos.
Quando procurar o médico?
Na maioria das crianças, comer a ver ecrãs é um hábito e não uma doença. A tabela ajuda a distinguir o que é habitual do que merece uma avaliação.
| Fale com o médico | Habitual |
|---|---|
| Continuar sem comer sem ecrã ao fim de várias semanas | Comer pouco nos primeiros dias sem ecrã |
| Não aumentar de peso, perder peso ou descer na curva de crescimento do boletim de saúde | Ficar sentado 10-20 minutos e depois levantar-se |
| Aceitar só um punhado de alimentos, ter vómitos ou náuseas com alimentos novos | Comer muito nuns dias e pouco noutros |
| Dificuldade em mastigar ou engolir, engasgar-se com frequência | Chorar um pouco quando o ecrã desliga |
Perante estes sinais, fale com o médico de família nas consultas de saúde infantil, que acompanham a curva de crescimento; também pode ligar para o SNS 24 (808 24 24 24). Se a criança se engasgar e não conseguir respirar, ligue de imediato 112.
A Direção-Geral da Saúde, no Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil, recomenda não entrar em conflito durante a refeição, que constitui uma oportunidade de interação sem pressão. Para os 5-6 anos, o programa aconselha selecionar os programas de televisão e de computador, bem como o horário e o período de tempo.
Informação geral: Este conteúdo apresenta informação geral baseada em fontes especializadas. Cada criança, cada família e cada situação são diferentes, pelo que o que aqui se descreve pode variar de pessoa para pessoa. Antes de tomar decisões sobre o seu filho, fale com o seu médico ou com um profissional qualificado.
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Referências e Leitura Adicional
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Nota editorial
Este artigo dá informação geral; o apetite e o feitio variam de criança para criança. Se o peso, o crescimento ou a deglutição o preocupam, fale com o médico de família ou com o pediatra.



