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Noites calmas, manhãs tranquilas
Terrores noturnos em crianças (1-8 anos): grita a dormir e não acorda
O seu filho grita de olhos muito abertos durante a noite, não o reconhece e de manhã não se lembra de nada? Explicamos como distinguir o terror noturno do pesadelo e da epilepsia, o que fazer nesses minutos e quando ir ao médico.
Informação geral: Informação geral que pode variar de criança para criança. Antes de decidir, fale com o seu médico ou com um profissional.
Em resumo
- O terror noturno é um despertar parcial do sono profundo: a criança grita de olhos abertos, mas continua a dormir e de manhã não se lembra.
- É mais frequente entre os 3 e os 8 anos, 1 a 3 horas depois de adormecer; transpirar e respirar depressa fazem parte desses minutos.
- Durante o episódio não acorde a criança: luz baixa, espaço seguro e esperar que passe sozinho.
- Primeiro, recupere o sono em falta; se os episódios surgem sempre à mesma hora, pode experimentar um despertar breve 15 minutos antes.
Equipa editorial LumiyaBaseado em 7 fontesOs nossos princípios editoriais
Passam das 22h e o seu filho está sentado na cama, de olhos muito abertos, a gritar; quando chega ao pé dele, parece não o reconhecer. O mais provável é tratar-se de um terror noturno: um despertar parcial do sono profundo.
Assusta, mas na maioria das crianças é inofensivo. Em resumo: não o acorde, mantenha a calma, torne o quarto seguro e espere que passe; quase sempre dura entre poucos minutos e 20 minutos.
Terror noturno, pesadelo ou epilepsia? Como distinguir
Os pais costumam pensar em três hipóteses, e a pista mais fácil é a hora: o terror noturno surge nas primeiras horas da noite, no sono não-REM profundo, e o pesadelo perto da manhã, no sono REM, o dos sonhos.

O SNS 24 descreve assim as duas fases do sono:
O sono é dividido em duas fases: o sono não-REM (o que tem a maior duração e que surge primeiro na noite) e o sono REM (é nesta fase que acontecem os sonhos e a fixação da memória), que apresentam características e estágios diferentes.
As diferenças em relação ao pesadelo, em seis pontos:
| Sinal | Terror noturno | Pesadelo |
|---|---|---|
| Quando? | 1 a 3 horas depois de adormecer | Segunda metade da noite, perto da manhã |
| Está acordado? | Olhos abertos, mas continua a dormir | Acorda completamente |
| Reconhece-o? | Muitas vezes não; pode afastá-lo | Sim, procura-o e abraça-o |
| O que se vê no corpo? | Transpiração, respiração rápida, coração acelerado | Medo e choro; o corpo acalma |
| Consolar ajuda? | Pouco; espera-se que passe | Sim, acalma depressa |
| Lembra-se de manhã? | Não | Costuma contar o sonho |
A transpiração, a respiração muito rápida e o coração acelerado que aparecem na tabela são, segundo o MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA, habituais num terror noturno. Assustam, mas por si só não são uma emergência.
O receio de epilepsia também é muito comum. O que a distingue é que, na epilepsia, mais do que os gritos, sobressaem os movimentos dos braços e das pernas.
Quando deve ir ao médico, indica-o a tabela da última secção.
Já a criança que se levanta, vem ter consigo, fala e reconhece-o, acordou mesmo; é uma situação diferente, que explicamos no artigo sobre despertares noturnos dos 6 aos 9 anos. Como acalmar uma criança depois de um pesadelo é tema dos nossos artigos sobre pesadelos e problemas de sono.
O que fazer durante um terror noturno?
Nesses minutos, o objetivo não é acordar a criança, mas atravessar o episódio em segurança.
5 passos durante um terror noturno
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Acalme-se primeiro
O seu filho não está a sofrer, está a dormir. O seu nervosismo pode acordá-lo a meio e deixá-lo mais assustado.
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Não tente acordá-lo
Não o abane, não lhe deite água na cara, não lhe diga «Acorda, olha para mim!». Segundo o NHS, se tentar acordá-la, a criança pode não o reconhecer e ficar ainda mais aflita quando a tenta consolar.
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Torne o espaço seguro
Que não caia da cama nem se dirija às escadas ou à janela; afaste objetos duros ou pontiagudos. Se se debate, em vez de o agarrar com força, dê-lhe algum espaço.
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Luz baixa e um só adulto, em silêncio
Não acenda todas as luzes nem encha o quarto de gente. Não tente falar com ele nem abraçá-lo; fique por perto em silêncio. O NHS também aconselha a não falar com a criança nestes minutos.
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No fim, aconchegue-o e não pergunte nada de manhã
A maioria das crianças volta a adormecer em poucos minutos, como se nada fosse. De manhã, não pergunte «Porque é que gritaste esta noite?»; se não se lembra, não toque no assunto.
Se a criança for dormir em casa dos avós ou ficar com a ama, explique-lhes também estes passos. Basta uma frase: «Se gritar, não a acorde, deixe a luz fraca e fique por perto». Assim ninguém tenta acordá-la em pânico.
Porque acontecem e quando passam?
A causa exata dos terrores noturnos não é conhecida, mas os fatores desencadeantes sim. O MedlinePlus aponta a febre, a falta de sono e os períodos de tensão emocional, stress ou conflito; os terrores noturnos também podem repetir-se na família.
Numa criança de 4 anos, uma festa de anos agitada ou uma semana com febre podem trazer mais noites destas. Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde inclui os terrores noturnos entre os temas das consultas de vigilância de saúde infantil, por isso pode falar deles na próxima consulta.
O terror noturno não é um «mau sonho»: não quer dizer que o seu filho tenha visto ou temido alguma coisa terrível.
Como os terrores noturnos mudam com a idade
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Podem começar
Segundo a Academia Americana de Pediatria, os terrores noturnos surgem sobretudo em crianças pequenas e em idade pré-escolar.
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Fase mais frequente
Segundo o NHS, os terrores noturnos são mais frequentes nestas idades.
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Mais raros
Espaçam-se com a idade escolar; segundo o MedlinePlus, diminuem geralmente depois dos 10 anos.
As outras mudanças de sono dos anos pré-escolares, a idade em que os terrores noturnos são mais frequentes, estão reunidas no nosso guia dos 3 aos 6 anos.
Antes de ir ao médico: como fazer o diário do sono?
Faça um diário simples durante 1 a 2 semanas; o NHS também recomenda um diário do sono, em que se anota quanto a criança dorme, para ajudar a perceber as causas.
O diário serve para duas coisas: reúne a informação que vai levar ao médico e mostra a que horas começam os episódios, o que é preciso para o despertar programado da secção seguinte.
| Dia | Sono: deitar → acordar, sesta | Terror noturno: hora, duração, quantas vezes | O que fez nesse momento? | O que aconteceu nesse dia? |
|---|---|---|---|---|
| Segunda | 20h30 → 07h00, sem sesta | 22h00 · 8 min · 1 vez | Sentou-se a gritar «Vai-te embora!», não me reconheceu | Muito cansado do parque |
| Terça | 20h15 → 07h00, sesta de 1 hora | sem episódio | — | Um dia calmo |
| Quarta | 21h30 → 07h30, sem sesta | 22h40 · 12 min · 1 vez | Chorou, transpirou, voltou a deitar-se | Febre de 38,5 °C |
A coluna «O que fez nesse momento?» é a que o médico mais vai perguntar: sobressaíram os gritos ou os movimentos dos braços e das pernas, reconheceu-o? Se puder, filme um episódio com o telemóvel; um vídeo curto mostra ao médico aquilo que é difícil descrever por palavras.
É possível prevenir? Recuperar o sono em falta e o despertar programado
A prevenção mais eficaz é dormir o suficiente e com horários regulares, porque um cérebro cansado mergulha mais depressa e mais fundo no sono profundo. O SNS 24 indica estas horas de sono por dia, as mesmas que recomenda a agência de saúde norte-americana CDC.
| Idade | Sono por dia | Nota |
|---|---|---|
| 1-2 anos | 11-14 horas | Incluindo sestas |
| 3-5 anos | 10-13 horas | Incluindo sestas |
| 6-12 anos | 9-12 horas | Sobretudo à noite |
Se uma criança de 5 anos que, durante a semana, se deita às 20h30 ficar acordada no sábado até às 23h, é mais provável que tenha um episódio nessa noite.
Quando os terrores noturnos acontecem sempre à mesma hora, o NHS propõe ainda um método: acordar brevemente a criança 15 minutos antes da hora habitual e repetir todas as noites durante 2 semanas. Isto não contradiz a regra de não acordar nesses minutos: o despertar breve faz-se antes de o terror noturno começar, com a criança a dormir tranquila.

Plano de prevenção: primeiro o sono, depois o despertar
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Compare o sono com a tabela
Calcule, a partir da coluna do sono do diário, a média semanal do sono total (noite + sesta); se ficar abaixo do intervalo da tabela acima, comece por corrigir isso.
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Antecipe a hora de deitar e mantenha-a ao fim de semana
Puxe a hora de deitar para mais cedo, aos poucos. O SNS 24 aconselha que não haja mais de 1 hora de diferença entre os dias de semana e o fim de semana. Se ainda precisa da sesta, não a abandone antes do tempo.
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Desligue os ecrãs antes de deitar
O SNS 24 aconselha a evitar equipamentos eletrónicos pelo menos 30 minutos a 1 hora antes de deitar.
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Se a hora for sempre a mesma, acorde-o 15 minutos antes
O método só resulta se os terrores noturnos começarem todas as noites aproximadamente à mesma hora: se no diário os episódios começam quase sempre por volta das 21h30, a hora de o acordar é às 21h15. Se a hora de início mudar claramente de noite para noite (como as 22h00 e as 22h40 do diário de exemplo), este método não é adequado; concentre-se na rotina de sono.
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Acorde-o com suavidade durante 2 semanas
Toque-lhe no ombro; basta que abra os olhos e olhe para si ou murmure alguma coisa, e depois deixe-o voltar a adormecer. Repita todas as noites à mesma hora, durante duas semanas. Se, ao fim de duas semanas, os terrores noturnos não tiverem diminuído ou tiverem ficado mais frequentes, fale com o seu médico.
Quando levar ao médico uma criança com terrores noturnos?
Episódios ocasionais, que passam sozinhos e sem marcas no dia seguinte, são normais nesta idade. Nas situações abaixo, convém procurar um médico, em regra o médico de família; se for preciso, ele encaminha para pediatria, neuropediatria ou uma consulta do sono.
Para uma dúvida fora de horas, a linha SNS 24 (808 24 24 24) também ajuda. Os critérios vêm do MedlinePlus e do NHS.
Uma nota: o terror noturno é mais frequente entre os 3 e os 8 anos, mas na maioria das crianças começa mais cedo.
Por isso o NHS recomenda ir ao médico quando o terror noturno começa pela PRIMEIRA vez depois dos 5 anos; um terror noturno que começou mais cedo e continua entre os 5 e os 8 anos não é, por si só, motivo para consulta.
| Atenção — vá ao médico | Normal |
|---|---|
| Acontece muitas vezes ou interrompe o sono com regularidade (basta uma das duas) | Acontece de vez em quando; de dia, a criança e a família andam descansadas |
| Começou pela primeira vez depois dos 5 anos ou continua depois dos 12 | Começou antes dos 5 anos e espaça-se com a idade |
| Um padrão que se repete há noites: várias vezes na maior parte das noites ou, mais do que os gritos, sobressaem habitualmente os movimentos dos braços e das pernas | Nas primeiras horas da noite, geralmente uma vez por noite |
| Há outros sintomas: por exemplo, ressona todas as noites com pausas curtas e repetidas na respiração durante o sono, ou anda muito sonolento de dia | Durante o dia, nada muda nas brincadeiras, no apetite ou na disposição |
| Magoou-se ou esteve perto de se magoar (cair da cama, dirigir-se às escadas) | Senta-se na cama a gritar e depois volta a dormir |
Esta tabela é para o que se repete há noites; se numa noite vir pela primeira vez rigidez ou sacudidelas, siga os critérios de emergência abaixo.
A respiração rápida e o debater-se são frequentes num terror noturno. Numa convulsão, o NHS descreve o corpo ou uma parte dele a ficar rígido, a contrair-se ou a tremer; os olhos podem desviar-se para um lado e a cabeça pode virar.
Se vir algo assim, o guia de primeiros socorros do NHS manda chamar uma ambulância nestes casos: é a primeira convulsão da criança, a convulsão dura mais de 5 minutos, depois não recupera totalmente ou tem uma convulsão atrás da outra sem recuperar entre elas, ficou gravemente ferida ou tem dificuldade em respirar depois da convulsão.
Em Portugal, o número de emergência é o 112.
O NHS, o serviço de saúde britânico, refere que o terror noturno passa sozinho na maioria das crianças e que o tratamento depende da causa: se há uma situação que perturba o sono, como a apneia do sono, o essencial é tratá-la. A linha da tabela sobre ressonar e pausas na respiração é importante por isso.
Informação geral: Este conteúdo apresenta informação geral baseada em fontes especializadas. Cada criança, cada família e cada situação são diferentes, pelo que o que aqui se descreve pode variar de pessoa para pessoa. Antes de tomar decisões sobre o seu filho, fale com o seu médico ou com um profissional qualificado.
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Nota editorial
Este artigo é informação geral; cada criança dorme de forma diferente e nada disto substitui uma consulta. Fale sobre o seu filho com o médico de família ou com o pediatra que o acompanha.



